quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O engraxate que virou PHD

13/02/2016 às 14h31
Por Hilda Mendonça

Nossa região sempre foi profícua de bons escritores, embora sem a divulgação merecida. Vez ou outra conseguimos alcance a esses livros e numa dessas coincidências, vi em casa de uma amiga, um livro que chamou-me a atenção pelo título, pedi-o emprestado e vi logo tratar-se de livro biográfico, o que não me desanimou pois gosto de ler biografias, faço até coleção de livros biográficos. A surpresa, no entanto, ficou em descobrir que o engraxate que virou PHD é natural de nossa vizinha São João Batista do Glória, cidade em que nasceu o Dr. PHD Gil Lúcio Almeida e na qual viveu a sua infância.

Filho do Sr. João Galdino Sobrinho e de Dona Judith Honorata dos Santos, Gil conta a sua infância até os 10 anos de idade no Glória e depois mudando-se para Itaú de Minas com a família onde além dos estudos trabalhava como mascate e engraxate até a sua adolescência quando então foi com a família para a cidade de São Carlos em S. Paulo.Trabalhando e estudando, formou-se primeiro em Técnico em Mecânica, graduou-se em Fisioterapia , foi trabalhar na Unicamp, diplomando-se, fez pós graduação, doutorado depois tornou-se PHD (Doutorado pela Iowa State University, com pesquisas realizadas na University of Illinois at Chicago, onde concluiu o pós doutorado no Rush Medical Center e na University of Illinois at Chihago. Nos Estados Unidos foi Embaixador da Boa Vontade pela Fundação Rotary e em 1995 retornou Para a Unicanp onde construiu brilhante carreira, tendo passagens por Ribeirão Preto, reside atualmente em São Paulo.

Embora autor de dezenas de artigos científicos publicados em revistas especializadas, revisor de revistas científicas nacionais e internacionais, empreendedor, cientista, professor, orientador, executivo, orador, Dr. Gil Lucio neste "O Engraxate que virou PHD", se expõe de alma nua, sem pruridos , a sua infância de menino pobre, pai rigoroso na educação, a confirmar que trabalho e disciplina não afetam a criança como atualmente querem nos fazer crer, (sou exemplo disto). Sua história é um exemplo de superação a nos mostrar que com força e garra poderemos alcançar nossos sonhos. Sua vida foi trabalho, disciplina, amor e estudo o que o inspirou ao final do livro a oferecer ao leitor "Os dez segredos que o engraxate usou para se tornar PHD, realmente uma lição de vida. Vale lembrar que Gil Lucio fez seus estudos por seu esforço e capacidade e por esta mesma capacidade, ganhou bolsa de estudos nos Estados Unidos, onde realmente o engraxate se torna PHD. As dificuldades, a rigidez da educação recebida, o trabalho desde a infância, sua história é uma história de superação, otimismo, disciplina, amor, estudo e trabalho. Gil Lucio não se omite em narrar dificuldades pelas quais passou e delas não se envergonha, pelo contrário, serviram-lhe de mola propulsora para alcançar seus objetivos. São João Batista do Glória tem muito a se orgulhar deste valoroso filho, e nós, seus... ( continua em http://www.clicfolha.com.br/noticia/54488/o-engraxate-que-virou-phd )

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http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

PORTUGAL: Exames para que te quero

 Opinião


Socióloga

20/01/2016 - 00:45

Sou contra os exames desde que estudei, investiguei e conheci os trabalhos internacionais que revelam que os exames são o modo mais pobre de avaliação das aprendizagens.

1. Os exames excitam os discursos e as críticas ao actual governo. A favor dos exames, basta o senso comum e a ignorância. Contra, é preciso entrar em grandes explicações. Para mim, a questão é simples: os exames são um mecanismo criado no interior do sistema que revela uma concepção de Escola. Dum lado, a Educação Para Todos com valorização do trabalho dos professores e procura de caminhos para assegurar aprendizagens exigentes face aos desafios do presente e do futuro e, do outro, a escola que conhecemos no passado, que exclui quem vem dos meios sociais mais pobres e das culturas "não eruditas", uma escola de competição, de stress e de individualismo em que só a memória – auxiliar precioso – faz as vezes de inteligência.

É uma questão de fundo: como queremos educar os mais novos? Para um mundo com mais conhecimento e cultura, solidariedade e participação cidadã? Ou queremos jovens que vivem sem sentido crítico, absortos desde cedo no "cada um para si", aceitando tudo o que se lhes impõe? A escola é, sem dúvida, a instituição que a todos marca, socializa e educa, promovendo ou excluindo.

2. Os exames foram introduzidos nos 9.º, 6.º e 4.º anos de escolaridade por governos do PSD e PSD/PP. Que haja provas finais no 12º ano, termo da escolaridade obrigatória, aceito. Mas o primeiro-ministro da educação a criar os exames do 9º ano depois de 1974 (antes havia apenas 6 anos de escolaridade obrigatória, é bom lembrar) foi David Justino, no XV Governo (2002-2004). O agora presidente do Conselho Nacional de Educação organiza, por estes dias, um seminário cujo título, para além de inaceitável, lhe fica muito mal: "Chumbar" melhora as aprendizagens? È que "chumbar" é matar!

Depois, veio Nuno Crato e criou os exames em todos os finais de ciclo. Aí, lamentavelmente, poucas vozes se levantaram contra a destruição da escola pública. Com efeito, os exames vieram com um "pacote" de medidas, desde o aumento do número de alunos por turma, a desconfiança crescente contra os professores, os dias escolares esmagados de burocracia, a selecção precoce dos que não atingem uns objectivos chamados "metas curriculares", uma pedagogia uniforme, sem qualquer espaço para áreas interdisciplinares nem tempo para reflectir e aprender, tudo formatado para que as pessoas não possam ser diferentes e qualquer diferença traga estigma e se transforme em desigualdade. Foi o fim da Educação Para Todos (UNESCO). A direita rejubilou com a sua "escola". Nem o "eduquês" lhes fez diferença. Cuspir nos outros é sempre mais fácil do que ver-se ao espelho. Se, no mundo da medicina (mero exemplo) há novos conceitos e conhecimentos que devemos aprender, isso não é possível em educação. Aí, o tempo parou. Todos sabem sempre tudo e, como dizia a minha amiga do bairro "fosse eu uma semana para o Ministério da Educação que punha tudo direitinho". Evoluir e mudar em educação? Impossível. Para a direita a escola deve ser como era nos "bons velhos tempos". Os filhos dos ricos e instruídos estudam e os outros aprendem o mínimo e uma profissão. Se algum destes mostrar que "merece" melhor, aí estão eles com o seu maravilhoso sentido democrático para os aceitar.

3. Que o fim dos exames do 4.º e 6.º anos tenha sido decidido na urgência, não me parece ideal mas é o tempo possível. Apoio, por isso, o actual ministro. E é curioso que alguns comentadores, de direita e de esquerda, venham dizer que devia haver mais continuidade nas políticas. Quando, há anos, foi elaborada uma proposta de "Pacto Educativo para o futuro", procurando estabilizar orientações políticas para uma escola pública de qualidade que precisa de tempo para ser construída, a maioria de então no Parlamento respondeu: NÃO. Talvez se devesse voltar, agora, a uma proposta actualizada. Estranho o baixo nível e a ausência de "memória" no que se ouve e se lê. Estranho a desvalorização mediática e social da educação num país que tanto sofreu e sofre com o analfabetismo e com os baixos níveis de literacia.

4. Sou contra os exames desde que estudei, investiguei e conheci os trabalhos internacionais que revelam que os exames são o modo mais pobre de avaliação das aprendizagens, o mais selectivo, o que mais desvaloriza o trabalho dos professores, o que sufoca qualquer inovação na escola, o que faz os alunos correrem atrás do tempo, confundindo memória com inteligência. Aliás, nunca as aprendizagens dependeram de exames mas sim do trabalho feito no dia-a-dia da escola e os países mais avançados sabem-no muito bem. Os exames reforçam o individualismo e a competição. Outros modos de conhecer as aprendizagens foram sendo criados, entre os quais as provas de aferição (seria bom que os comentadores, pelo menos os que são pagos, soubessem do que falam, já que são tão defensores dos "trabalhos de casa"). Ouvir J.M.Tavares dizer um chorrilho de asneiras criticando o facto de os exames terem agora passado para os 2.º, 5.º e 8.º anos é insuportável. Deixei de ver o programa e de o ler e espero não ter sido a única.

5. E assim vai o país. É a raiva da direita contra um governo inesperado. Nem a OCDE e os trabalhos que publicou, no virar de século, sobre a "Escola de Amanhã" dizem a estes personagens que a escola do passado não nos serve.

Há eleições presidenciais daqui a dias, e esta... ( continua em https://www.publico.pt/sociedade/noticia/exames-para-que-te-quero-1720743 )

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http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Professora amazonense transforma tese de mestrado em um livro

 dez. 16, 2015 Cultura, Destaques

Por Luiz Otávio

Autora compartilha em linguagem simples sua dissertação de mestrado – foto: divulgação

Autora compartilha em linguagem simples sua dissertação de mestrado – foto: divulgação

A professora e dançarina Lia Sampaio transformou a sua tese de mestrado em um livro que evita a linguagem técnica tão comum em trabalhos acadêmicos. A intenção é alcançar não apenas aqueles que se dedicam profissionalmente à área da dança, mas apresentar também ao público geral a sua experiência, de 2000 a 2008, no Projeto de Educação à Distância (Proformar).

O livro 'A dança na escuta do corpo do ribeirinho', publicado pela Editora Universitária por meio do selo UEA Edições, será lançado na próxima sexta-feira (18), às 18h, no Instituto Amazônia (rua Bernardo Ramos, 145, Centro). A abertura será feita pelo professor Carlos Eduardo, um dos coordenadores do Proformar e, na ocasião, haverá performances de dança.

Desde que lançou, no ano passado, o livro "O delicioso ofício de ensinar a dançar" – sobre a sua metodologia de ensino, no qual já comentava a sua experiência no Proformar –, Lia Sampaio já planejava compartilhar com os leitores numa obra à parte esse capítulo da sua vida profissional. A dissertação de mestrado, intitulada "A realidade da dança no Amazonas e o Proformar valorizando os profissionais da educação na Amazônia", foi produzida ao longo de quase 3 anos.

"O meu trabalho enfocou o projeto que levou educação e arte para os 62 municípios do interior. Eu quis mostrar essa parte científica, mas precisava 'afunilar' para o trabalho realizado especificamente com a dança", comenta a professora. "Nesse livro eu incluí o trabalho de valorização desses profissionais ribeirinhos, que trabalham em escolas à margem dos rios, e analisei como eles recebem as atividades que envolvem dança e corpo".

Vivência

Lia explica que o título do livro se refere às experiências corporais. "O corpo escuta tudo o que vê e sente. Somos esse acúmulo de sons que vivenciamos em tudo. Ao trabalhar a consciência corporal, você procura fazer o corpo do outro acordar", analisa a autora. "Consciência corporal todo mundo tem e ela é evidenciada a partir de estímulos e incentivos".

A professora diz ainda que, na área da dança, é possível "se fartar" desses elementos observados e sentidos. "E, no caso dos ribeirinhos, busquei elementos básicos como mexer a farinha, manusear o tipiti ou buscar água, que você pode levar para questões estéticas".

Ela destaca também as particularidades de cada município ao entrar em contato com as atividades do Proformar. "Esse trabalho não poderia ser igual em todos os municípios amazonenses. Um tinha mais familiaridade com a capoeira, outro com a dança de rua. O resultado era diferente de um para o outro".

Metodologia

Lia Sampaio é formada em Música e Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia e mora em Manaus há 30 anos. Sua metodologia de ensino une música e movimento e foi aplicada em projetos como a Aldeia SOS, no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro e no Conservatório de Música Joaquim Franco, além de ser tema do livro "O delicioso ofício de ensinar a dançar" (Editora Valer).

Ela também foi diretora e coreógrafa do Núcleo Univer-sitário de Dança Contemporânea (Nudac), o corpo de dança contemporânea da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e participou da criação do curso de Dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) – instituição onde é coordenadora da pós-graduação em... ( continua em http://www.emtempo.com.br/professora-amazonense-transforma-tese-de-mestrado-em-um-livro/ )

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A depressão na pós-graduação é um tabu, diz pesquisador da UFRN

Marcelle Souza
Do UOL, em São Paulo

16/12/201505h00


 O pesquisador Sérgio Arthuro leu um artigo na revista Nature e decidiu escrever um texto sobre depressão na pós-graduação. Em pouco tempo, a publicação ganhou repercussão nas redes sociais – até o último dia 10 já tinha quase 40 mil compartilhamentos no Facebook. E foi aí que ele percebeu a dimensão do problema. "Esse tema é um tabu!", disse em entrevista ao UOL.

Arthuro é médico, neurocientista e faz pós-doutorado no Instituto do Cérebro e no Laboratório do Sono do Hospital Universitário Onofre Lopes, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

"Apenas escrevi um texto baseado em um artigo, mas acredito que teve uma enorme repercussão porque muita gente passou por esse problema e, apesar disso, ninguém fala sobre o tema. Infelizmente aqui no Brasil não se estuda, pesquisa ou discute isso", disse. Arturo diz que não é especialista no tema e resolveu escrever, sem pretensão científica, inspirado nos anos de experiência no meio acadêmico.

De acordo com a pesquisa "Under a cloud: Depression is rife among graduate students and postdocs. Universities are working to get them the help they need", publicada na Revista Nature em 2012, os principais sinais de depressão são: inabilidade de assistir às aulas ou de fazer pesquisa, dificuldade de concentração, diminuição da motivação, aumento da irritabilidade, mudança no apetite, dificuldades de interação social e problemas no sono.

A pesquisa ainda aponta que não há números precisos sobre a quantidade de estudantes de pós-graduação com depressão, especialmente porque a maior parte não procura ajuda. Estudos indicam que as taxas de depressão dobraram entre estudantes da graduação nos Estados Unidos nos últimos 15 anos e a incidência de comportamento suicidas triplicou no período. Na Inglaterra, estudantes criaram a página Students Against Depression (Estudantes contra a Depressão), que reúne histórias de quem já passou pelo problema e dicas de como procurar tratamento.

"Acredito que os estudantes são atingidos, porque eles são o elo mais frágil da corrente. Se um orientador quiser parar de orientar um estudante, não vai acontecer nada com ele, que vai continuar ganhando o mesmo salário e tendo o emprego garantido. Já para o estudante, perder um mestrado ou um doutorado pode ser uma perda para o resto da vida profissional", diz.

O pesquisador afirma que o orientador tem um papel fundamental para ajudar ou piorar a situação dos pós-graduandos com problemas. "Acho que o orientador deveria deixar muito claro, no começo do trabalho (mestrado e doutorado), o que ele quer do estudante e o que ele pode dar para o estudante, e os dois têm que entrar em um acordo. O problema é que a relação é muito assimétrica".

Segundo Arthuro, são as três principais causas para a ocorrência de depressão na pós-graduação:

  1. O próprio nome "defesa" no caso do doutorado: "Tem coisa mais agressiva que isso? Defesa pressupõe ataque, é isso mesmo que queremos? Algumas pessoas vão dizer que os ataques são às ideias e não às pessoas. Acho que isso acontece apenas no mundo ideal, porque na prática o limite entre as ideias e as pessoas que tiveram as ideias é muito tênue. Mas pior é nos países de língua espanhola, pois lá a banca é chamada de 'tribunal'".
  2. Avaliações pouco frequentes: "Em vários casos, principalmente no começo do projeto, as avaliações são pouco frequentes, o que faz com que o desespero fique todo para o final. No meu caso, os últimos meses antes da 'defesa' foram os piores da minha vida, pois tive bastante insônia, vontade de desistir de tudo etc. Pior também foi ouvir das pessoas que poderiam me ajudar que aquilo era 'normal' e que 'fazia parte do processo'… Isso não aconteceu apenas comigo, mas com vários colegas de pós-graduação. Acho que para fazer ciência bem feita, como todo trabalho, tem que ser prazeroso, e acredito que avaliações mais frequentes podem evitar o estresse ao final do trabalho."
  3. Prazos pouco flexíveis: "Cada vez mais me é claro que a ciência não é linear, e previsões geralmente são equivocadas. Dessa forma, acredito que não deveria haver nem mestrado nem doutorado com prazo fixo. O pós-graduando deveria ter bolsa por 5 anos para desenvolver sua pesquisa, e a cada ano elaboraria um relatório sobre suas atividades e resultados. Uma comissão deveria julgar esse relatório para ver se o estudante merece ... ( continua em http://educacao.uol.com.br/noticias/2015/12/16/a-depressao-na-pos-graduacao-e-um-tabu-diz-pesquisador-da-ufrn.htm )
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vale a pena estudar?




Há dias encontrei uma pessoa que me disse que a tese de doutoramento não lhe tinha trazido nada de muito novo na sua vida. Não tinha sido aumentada, não tinha tido uma proposta fabulosa de trabalho, não tinha mudado de vida. Por causa desta aparente falta de mudança, havia nela um tom de desilusão. Ao longo dos anos tenho encontrado várias pessoas que concluem o doutoramento e que, uma vez entregue e defendida a tese, aproveitam todas as oportunidades que a vida lhes dá para se queixarem do seu investimento. 


Sempre que me deparo com alguém que lamenta decisões sobre a nobre actividade de estudar (não é ler: é estudar), penso no tipo de expectativas que teria e que são, claro, legítimas. Mas penso também se essas expectativas não carregam uma boa dose de ingratidão. E ingratidão, antes de mais, em relação a si próprio. Na verdade, é como se A Tese fosse a palavra mágica que resolve todos os problemas, além de ser uma garantia de acesso a uma vida de abundância. Nem sempre acontece e nem sempre a culpa é da tese.  

Escrever uma tese de doutoramento não é uma tarefa leve. Basta olhar para as carinhas olheirentas dos doutorandos para sabermos que são anos a ler, a pensar e a desesperar. Mas apesar de sofrido (em silêncio, sempre) e demorado, pode também ser o melhor momento da vida de uma pessoa. Depende da pessoa, mas é certo que a vida tem destas contradições. Então o que leva alguém que se dedicou a escrever duzentas páginas sobre um tema que supostamente o apaixona a acabar a dizer mal da sua obra, a amaldiçoar o dia em que "se meteu nisso", a sugerir a outros doutorandos que só estão a perder tempo porque o doutoramento não "serve" para nada? Podem ser expectativas irrealistas sobre os efeitos da tese. Ou podem ser saudades.

Ao contrário dos descrentes que concluíram o que ainda não concluí (a tese, digo), tenho uma opinião muitíssimo favorável sobre aquilo que ainda não fiz (e talvez por isso). Penso que a tese é o mais importante do doutoramento, não por ser "útil", nem por ser necessária para obter o grau, mas porque é uma oportunidade de defender argumentos sobre ideias que persistem (mesmo que mudem) ao longo dos anos. A tese não é um meio, mas um fim. E talvez não somente um fim, no sentido de ser uma conclusão, mas um fim em si mesmo. 

Deste modo, é impossível que a vida do doutorado não tenha mudado, porque não teve outro remédio senão mudar. Onde havia ignorância sobre um tema, há hoje, espera-se, conhecimento. Onde havia um vazio, há hoje pelo menos uma tese. Em muitos casos, há teses publicadas. E tudo isso existe graças ao esforço dos seus autores. Agradeça a si próprio e comece a viver.  

Este é o meu último artigo para o i. Agradeço... ( continua em http://www.ionline.pt/490470 )

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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Futsal: treinador do Sporting tira 17 em mestrado com rival a avaliar

Orientador foi Bruno Travassos, treinador da equipa de futsal do Fundão. Adjunto de Nuno Dias também já é mestre

Por Redação


Há mais dois mestres no futebol português. Nuno Dias, treinador da equipa de futsal do Sporting, defendeu «com distinção», na Universidade da Beira Interior, a dissertação de mestrado, que teve como orientador o adversário Bruno Travassos, técnico do Fundão e docente na instituição da Covilhã.

O treinador dos leões analisou a «Representatividade dos Exercícios de Treino em Relação ao Jogo no Futsal», enquanto o seu adjunto, Paulo Luís, submeteu à apreciação do júri a dissertação «Controlo do Treino e Avaliação do Desempenho em Futsal».

«Foi um processo muito interessante. Sempre que trabalhamos com alunos que já estão no 'mercado', que já têm experiência, o processo é muito mais rico. Quem está no terreno tem muitos problemas para resolver, muitas dúvidas, muitas questões», disse à agência Lusa Bruno Travassos.

«Mais do que os resultados, o mais rico foi a própria reflexão, a discussão que surgiu e que nos permitiu, na parte das implicações práticas, deixar algumas reflexões para a operacionalização dos processos de treino», acrescentou o treinador do Fundão.

Bruno Travassos destaca ainda o cruzamento entre a teoria e a prática como uma forma de dar resposta a situações concretas. «Esta aproximação é fundamental para fazer refletir quem está no treino e para permitir que, quem está na academia a estudar as coisas de uma forma mais abrangente, possa também ir buscar os problemas dos treinadores para, na realidade, estudar situações que tenham uma aplicação na ação do dia a dia. O nosso percurso tem sido o de cada vez mais aproximar o treino e a investigação.»

Na investigação, Nuno Dias verificou que quanto mais ele treinava um comportamento, mais golos surgiam dentro desse contexto. Por outro lado, quando treinou a parte defensiva, não houve relação no tempo despendido no treino de organização defensiva com os golos que sofreu.

«Isto é uma reflexão interessante, que nos leva a pensar se controlamos mais o ataque ou a defesa, ou se isso poderá ser totalmente diferente em função da equipa que se está a analisar», sublinha o orientador.

Nuno Dias concluiu o mestrado com... ( continua em http://www.maisfutebol.iol.pt/modalidades/futsal-sporting/futsal-treinador-do-sporting-conclui-mestrado-com-nota-de-17-valores )
  • DOWNLOAD PARCIAL. LARCEN, César Gonçalves. Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pós-moderno atravessando o campo dos Estudos Culturais. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2011. 144 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. AGUIAR, Vitor Hugo Berenhauser de. As regras do Truco Cego. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2012. 58 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LINCK, Ricardo Ramos. LORENZI, Fabiana. Clusterização: utilizando Inteligência Artificial para agrupar pessoas. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LARCEN, César Gonçalves. Pedagogias Culturais: dos estudos de mídia tradicionais ao estudo do ciberespaço em investigações no âmbito dos Estudos Culturais e da Educação. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120 p.
  • CALLONI, H.; LARCEN, C. G. From modern chess to liquid games: an approach based on the cultural studies field to study the modern and the post-modern education on punctual elements. CRIAR EDUCAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação UNESC, v. 3, p. 1-19, 2014.
    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PORTUGAL. Surpresa! Há mais mestres do que licenciados

24/11/2015 - 10:03

Na população entre os 25 e os 64 anos a OCDE atribui-nos 17% de diplomados com grau de mestre.


Uma alteração nos níveis da Classificação Internacional Normalizada da Educação, mais conhecida pela sua sigla em inglês ISCED ( International  Standard Classification of Education), terá levado a que Portugal mereça um destaque pela positiva no relatório anual que dá conta do Estado da Educação nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). 

Na edição de 2015 do Education at Glance, divulgada nesta terça-feira, destaca-se, na nota relativa a Portugal, que a escolaridade da população é "bastante desigual". Por um lado, continua a ser o segundo país da OCDE com uma percentagem mais elevada da população entre 25 e os 64 anos que não concluiu o ensino básico (36%). Mas, por outro, "17% da população entre os 25 e os 64 anos tem o grau de mestre, bem acima da média da OCDE que se situa nos 11%".

Neste último relatório da OCDE foram aplicados os novos níveis do ISCED aprovados em 2011 para dar resposta, precisamente, à proliferação de diferentes tipos de ofertas no ensino superior, a começar pelas alterações introduzidas pela reforma de Bolonha.

Em vez de dois níveis nesta escala, sendo que um deles agregava licenciaturas (pré e pós Bolonha)  e mestrados, o ensino superior passa a ter quatro: cursos de curta formação; bacharelato ou equivalente, incluindo licenciaturas; mestrado; e doutoramento. 

Com a reforma de Bolonha, parte dos diplomados pela primeira vez podem ter uma licenciatura de 1.º ciclo (três anos) ou um mestrado integrado (cinco anos). No novo ISCED, no nível referente a bacharelatos e equivalentes, que é agora o que inclui também as licenciaturas, este último grau refere-se apenas às licenciaturas do 1.º ciclo criadas com Bolonha, com uma duração de três anos.

Este facto poderá explicar esta outra situação particular que a OCDE nos atribui em 2014: ter apenas 5% de adultos entre os 25 e os 64 anos com licenciatura, sendo que os mestres representariam  17% e os diplomados com grau de doutoramento 1%. As médias da OCDE são respectivamente de 15%, 11 % e 1%. Já as da União Europeia situam-se nos 22%, 19% e 1%.   

O salto português na população adulta foi recebido com surpresa pelo presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Embora ressalvando que não tivera ainda acesso ao relatório, António Cunha diz que não encontra "muitas explicações" para o peso do grau de mestres nos 25 aos 64 anos e que até nem percebe bem o cenário avançado pela OCDE. Interroga-se se será por Portugal ter começado "muito cedo a implementar a reforma de Bolonha e a apostar nos mestrados integrados", mas remete eventuais explicações para mais tarde.

Em resposta ao PÚBLICO, o consultor da OCDE  Diogo Paula, frisa que, apesar de a reforma de Bolonha "poder ser uma das explicações" para o salto na percentagem de mestres, existem outros dados que acabam por minimizar o efeito dos mestrados integrados neste balanço.

"Há menos portugueses que a média a obter um diploma de mestrado como primeira qualificação do ensino superior, o que seria o equivalente a um programa de cinco anos", alerta. Na verdade, quando os dados incidem sobre os diplomados pela primeira vez, a percentagem dos que têm o mestrado como primeira formação é de 15% contra uma média de 18% na UE. Já o valor dos que obtiveram um grau de bacharelato ou equivalente, onde se incluem as licenciaturas de 1.º ciclo de Bolonha, sobe para 85%, sendo que a  média na OCDE e na UE... ( continua em http://www.publico.pt/sociedade/noticia/surpresa-ha-mais-mestres-do-que-licenciados-1715379 )

  • DOWNLOAD PARCIAL. LARCEN, César Gonçalves. Mais uma lacônica viagem no tempo e no espaço: explorando o ciberespaço e liquefazendo fronteiras entre o moderno e o pós-moderno atravessando o campo dos Estudos Culturais. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2011. 144 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. AGUIAR, Vitor Hugo Berenhauser de. As regras do Truco Cego. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2012. 58 p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LINCK, Ricardo Ramos. LORENZI, Fabiana. Clusterização: utilizando Inteligência Artificial para agrupar pessoas. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120p. il.
  • DOWNLOAD GRATUÍTO. FREE DOWNLOAD. LARCEN, César Gonçalves. Pedagogias Culturais: dos estudos de mídia tradicionais ao estudo do ciberespaço em investigações no âmbito dos Estudos Culturais e da Educação. Porto Alegre: César Gonçalves Larcen Editor, 2013. 120 p.
  • CALLONI, H.; LARCEN, C. G. From modern chess to liquid games: an approach based on the cultural studies field to study the modern and the post-modern education on punctual elements. CRIAR EDUCAÇÃO Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação UNESC, v. 3, p. 1-19, 2014.
    http://periodicos.unesc.net/index.php/criaredu/article/view/1437