terça-feira, 18 de março de 2014

Ciberespaço e Metaversos.

Capítulo disponível no livro

Mais uma lacônica viagem tempo e no espaço.


Primeira edição (2011):
http://www.cgled.blogspot.com.br/2013/03/livro-2011-mais-uma-laconica-viagem.html

Segunda edição(2014):
Disponível para aquisição em http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7245978

Segunda Vida para Consumo.

Capítulo disponível no livro

Mais uma lacônica viagem tempo e no espaço.


Primeira edição (2011):
http://www.cgled.blogspot.com.br/2013/03/livro-2011-mais-uma-laconica-viagem.html

Segunda edição(2014):
Disponível para aquisição em http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7245978

Cultura e notações.

Capítulo disponível apenas na segunda edição do livro

Mais uma lacônica viagem tempo e no espaço.


Primeira edição (2011):
http://www.cgled.blogspot.com.br/2013/03/livro-2011-mais-uma-laconica-viagem.html

Segunda edição(2014):
Disponível para aquisição em http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7245978

Um tanto a ver com Pedagogias e Currículos Culturais, Espaço e Tempo afora/adentro.

Capítulo disponível no livro

Mais uma lacônica viagem tempo e no espaço.


Primeira edição (2011):
http://www.cgled.blogspot.com.br/2013/03/livro-2011-mais-uma-laconica-viagem.html

Segunda edição(2014):
Disponível para aquisição em http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7245978

O Encastelamento da Escola Moderna em Tempos Contemporâneos.

Disponível no livro

Mais uma lacônica viagem tempo e no espaço.


Primeira edição (2011):
http://www.cgled.blogspot.com.br/2013/03/livro-2011-mais-uma-laconica-viagem.html

Segunda edição(2014):
Disponível para aquisição em http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7245978

quinta-feira, 13 de março de 2014

Cinema: Crowdfunding pode ser a solução para "Violeta"

Em http://jpn.c2com.up.pt/2014/03/12/cinema_crowdfunding_pode_ser_a_solucao_para_violeta.html

Por Filipa Mesquita - jpn@c2com.up.pt
Publicado: 12.03.2014 | 14:02 (GMT)
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Cinema: Crowdfunding pode ser a solução para "Violeta"

"Violeta é um filme sobre uma mulher. Ela é casada, vive fechada em si, no seu mundo, na sua rotina. Um dia olha-se. Vê. Vê um reflexo. Mas não se vê."
Foto: Raquel Carvalho

Rafaela Morgado vai apresentar como projeto final de Mestrado o documentário "Violeta". Para o conseguir finalizar, a finalista da ESMAE está a pedir financiamento através de uma campanha de crowdfunding. As ajudas podem ser dadas até 25 de abril.

"Violeta" é o nome do projeto de Rafaela Morgado, finalista do Mestrado em Comunicação Audiovisual na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE). A jovem de 25 anos está neste momento a produzir o documentário e precisa de financiamento para que este seja concluído.

Para isso, a realizadora recorreu a uma campanha de crowdfunding, através da Indiegogo. Como se pode ler na página, embora toda a equipa trabalhe em "pro bono", a contribuição monetária é essencial para suportar alguns dos custos. Entre eles, destacam-se os gastos de alimentação e de deslocação, bem como a disseminação do filme por festivais de cinema - não só nacionais como estrangeiros.

O filme, intitulado com o mesmo nome da protagonista, surgiu na cabeça de Rafaela porque as temáticas da mulher e do feminismo sempre a acompanharam. "Comecei a fazer muita pesquisa. Desde os livros de Simone de Beauvoir até algum cinema da Agnès Varda. Foi até numa realizadora que nem se considera feminista que eu encontrei a minha grande inspiração: a Chantal Akerman".

Uma coisa é clara. Rafaela não quer com este filme criar uma guerra contra os homens. O objetivo principal do filme é fazer uma reflexão, num tom introspetivo, da mulher. "Não queria que houvesse nada que desagradasse os homens. Não queria criar nenhum tipo de conflito nem fazer nenhum tipo de manifesto", garante.

"Este filme vai ficar como um lembrete da mulher que eu não quero ser"

Embora esteja a especializar-se em Cinema Documental, a finalista do ESMAE sentiu a necessidade de ir à ficção buscar a ferramenta de construção de personagens. Para Rafaela, "Violeta" é um reflexo de muitas mulheres ainda hoje: "Este filme vai ficar como um lembrete da mulher que eu não quero ser porque ela está em casa, confinada àquele espaço por decisão própria, a fazer tarefas domésticas. É uma típica dona de casa".

Ainda não existe uma data de estreia para o documentário mas a realizadora garante que os apoiantes serão os primeiros a ver o resultado final. "Todos os apoiantes da campanha, dependendo da sua contribuição, vão ter um convite para uma sessão exclusiva onde podem falar comigo e também com a atriz. É uma sessão mais intimista".

Até à data, a campanha rendeu... ( continua em http://jpn.c2com.up.pt/2014/03/12/cinema_crowdfunding_pode_ser_a_solucao_para_violeta.html )

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Estudo revela a arquitetura rural do século XIX no interior do Nordeste

Em http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/02/12/outros-sertoes/

Outros sertões

Estudo revela a arquitetura rural do século XIX no interior do Nordeste

JULIANA SAYURI | Edição 216 - Fevereiro de 2014

© NATHÁLIA DINIZ

Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte

Casa da fazenda Sabugi, no Rio Grande do Norte

O sertão é do tamanho do mundo, dizia Guimarães Rosa. Dizia como ainda dizem os que se enveredam pelos tortuosos caminhos dos rincões nordestinos em busca de histórias, respostas, saberes. Não raro, porém, muitos retornam dessas terras ainda mais intrigados com novas questões. A pesquisadora Nathália Maria Montenegro Diniz mergulhou diversas vezes nesse território. Ali nasceram a dissertação de mestrado Velhas fazendas da Ribeira do Seridó (defendida em 2008) e a tese de doutorado Um sertão entre tantos outros: fazendas de gado nas Ribeiras do Norte (em 2013), ambas realizadas sob orientação de Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Nessas empreitadas, ela encontrou não apenas respostas a seus estudos sobre a arquitetura rural do século XIX sertão adentro, mas também questionamentos novos que deram fôlego para um novo projeto de pesquisa, vencedor da 10ª edição do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica – Clarival do Prado Valladares, divulgado em dezembro. O projeto O conhecimento científico do mundo português do século XVIII, de Magnus Roberto de Mello Pereira e Ana Lúcia Rocha Barbalho da Cruz, também foi premiado. Os vencedores foram escolhidos entre 213 trabalhos inscritos pela originalidade dos temas. O prêmio inclui a produção e publicação de um livro, sem valor predeterminado.

É difícil desvencilhar a história pessoal de Nathália Diniz de seu itinerário intelectual. De uma família de 11 filhos originária de Caicó, na região do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, ela foi a primeira a nascer na capital potiguar. Em 1975, a família mudou-se para Natal – professores de matemática por ofício, os pais pretendiam oferecer melhores condições educacionais para os filhos. Nas férias e feriados todos retornavam à pequena cidade, onde ficavam em uma das casas das fazendas que pertenceu ao tataravô da pesquisadora. “Logo cedo pude notar as visões diferentes construídas sobre o sertão nordestino. As casas que eu via não eram as mesmas retratadas nas novelas de época, da aristocracia rural. Era outro sertão”, lembra.

© NATHÁLIA DINIZ

Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação  ainda precária

Casa da fazenda Almas de Cima, também no Rio Grande do Norte: preservação ainda precária

Graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Nathália quis explorar os outros sertões esquecidos no século XIX, mais especialmente no Seridó, uma microrregião do semiárido que ocupa 25% do território do estado. Lá o povoamento se iniciou no século XVII com as fazendas de gado e o cultivo de algodão. Ainda estudante, deu o primeiro passo nessa direção quando participou de um projeto de extensão que investigou os núcleos de ocupação original do Seridó a partir de registros fotográficos e fichas catalográficas feitas por estudantes e pesquisadores. Descobriram, assim, que essas casas, posteriores ao período colonial, mantinham características herdadas da arquitetura colonial ao lado de elementos ecléticos modernos.

Uma vez bacharel, Nathália viajou a São Paulo para participar de um encontro de arquitetos e deparou com o processo seletivo para mestrado na FAU. Decidiu, então, despedir-se do Nordeste para estudar na capital paulista. “Foi preciso partir para poder redescobrir os sertões”, diz ela. Para seu projeto de dissertação, a jovem arquiteta tinha um trunfo: a originalidade da pesquisa sobre as casas de Seridó. “Quase ninguém conhece aquele patrimônio. Quis apresentar essa realidade nas minhas pesquisas.”

© NATHÁLIA DINIZ

Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba:  sede da fazenda Sobrado

Exemplos da arquitetura sertaneja na Paraíba: sede da fazenda Sobrado

Acervo arquitetônico
Nathália investigou o acervo arquitetônico rural do Seridó, de formas simples e austeras, sem o apelo estético de outros exemplares do litoral nordestino. Essas construções, entre casas de famílias, casas de farinha e engenhos, representam um tipo de economia do século XIX alicerçado no pastoreio e no cultivo de algodão. Embora fundamental para a identidade da região, segundo o estudo, esse acervo composto por 52 edificações conta com poucas iniciativas concretas para tornar viável sua preservação.

No início do século XVII, com o povoamento do interior do Rio Grande do Norte, sesmeiros pernambucanos fincaram raízes no Seridó. Foi no século XVIII que surgiram as casas na região feitas de taipa, com madeiramento amarrado com couro cru, chão de barro batido e térreas, com telhado de beira e bica. Lentamente, as casas de taipa passaram a alvenaria, com tijolos apenas na fachada. Por fim, no século XIX, o Seridó ficou marcado pela construção de grandes casas de fazenda, habitadas pelo proprietário, familiares, agregados e escravos.

No doutorado, a arquiteta expandiu horizontes, territoriais e teóricos. Por um lado, debruçou-se sobre a arquitetura rural vinculada às fazendas de gado nos sertões do Norte (atuais estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte). Ela mapeou um acervo de 116 casas-sede a partir de levantamentos arquitetônicos do Piauí, Ceará e Bahia. A fim de melhor compreender o patrimônio material e imaterial nas habitações rurais dessa região, entrou nos campos da história social e da história econômica.

Do inventário de 116 casas-sede alicerçadas em pedra bruta, erigidas em diferentes ribeiras (Ribeira do Seridó, do Piauí, da Paraíba, dos Inhamuns e do São Francisco e Alto Sertão Baiano), a pesquisadora notou a heterogeneidade das construções arquitetônicas nas rotas do gado no Nordeste, que mantinham um mercado interno agitado, embora desconhecido, no calcanhar da economia do litoral exportador. Eram ainda construções pensadas para a realidade sertaneja, com sótãos e outras estruturas propícias para arejar os ambientes castigados pela alta temperatura e pelo tempo seco.

© NATHÁLIA DINIZ

A casa da fazenda Santa Casa

A casa da fazenda Santa Casa

Contornando ribeiras e atravessando sertões, Nathália Diniz construiu suas investigações a partir de vestígios de tijolo, pedra e barro. Muitas casas de taipa, mencionadas nos arquivos, não resistiram ao tempo e desapareceram. Restaram fazendas formadas por casas-sede e currais. Entre as características da maioria das construções estavam à disposição dos ambientes: os serviços nos fundos do terreno, com tachos de cobre, pilões, gamelas; e a intimidade da vida doméstica no miolo das edificações, com mobiliário trivial, como mesas rústicas e redes, assentos de couro e de sola, baús e arcas de madeira. Em muitas fazendas, em paralelo a criação de gado, cultivaram-se cana-de-açúcar e mandioca, de onde viriam a rapadura e a farinha, que, ao lado da carne de sol, tornaram-se a base da alimentação sertaneja. “A arquitetura rural não segue modelos”, diz Nathália. “Os primeiros proprietários dessas casas eram filhos dos antigos senhores de engenho do litoral. Se a arquitetura rural tivesse um modelo, eles teriam construído casas similares às de seus pais no litoral, o que não ocorreu. A arquitetura dos sertões mostra a formação de uma sociedade a partir da interiorização dos sertões do Norte, de uma economia marcada pelo gado.”

Depois do doutoramento em São Paulo, a pesquisadora retornou a Natal, onde é professora de história da arte e de arquitetura no Centro Universitário Facex. Seu projeto atual é aprofundar a análise arquitetônica das casas-sede, explorando uma lacuna na historiografia brasileira sobre as relações sociais e suas consequências materiais nos sertões, ainda hoje um universo inóspito e incógnito, marcado por longas distâncias e imensos vazios. Esses territórios ficaram esquecidos, apesar de presentes na literatura e nos relatos memorialistas. Daí brotaram generalizações sobre o Nordeste e sua arquitetura rural, ainda compreendida a partir dos padrões dominantes da Zona da Mata pernambucana e do Recôncavo Baiano – o que, nas palavras da pesquisadora, não condiz com a realidade.

Originalidade do tema
O novo trabalho será bancado com o prêmio ganho em dezembro e desenvolvido com o apoio de Beatriz Bueno, da FAU-USP. “O projeto de Nathália foi escolhido pela originalidade do tema e pela oportunidade que nos proporciona de compreender o processo de ocupação do sertão brasileiro e suas dimensões econômica, histórica e social”, diz o coordenador do Comitê Cultural da Odebrecht, Márcio Polidoro. Na economia, ela destacará o ferro que marcava o gado e que permitia identificar a fazenda à qual pertencia – até agora, a pesquisadora já coleciona 653 desenhos de ferro diferentes. “Num sertão disperso, sem fronteiras claramente visíveis, pontuado por tribos indígenas inimigas, o gado carregou a representação do território e da própria propriedade dos que vinham de outros lugares”, define. Na sociedade, ao cruzar os inventários post-mortem encontrados nos arquivos e nas casas, pretende compreender e revelar a vida cotidiana do sertanejo que se desenrolava a morosos passos no século XIX. Fará novas viagens para refazer fotografias e rever... ( continua em http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/02/12/outros-sertoes/ )

Projeto
Paisagem cultural sertaneja: as fazendas de gado do sertão nordestino (nº 2009/09508); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadora responsável Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno; Bolsista Nathália Maria Montenegro Diniz; Investimento R$ 130.587,92 (FAPESP)